Pequenos atos de coragem


- Dizem que se você colocar um cadeado com o seu nome e o nome da sua pessoa amada na grade e jogar a chave no rio, você e a pessoa ficarão juntos para sempre. -ele disse. 

A garota sentiu o coração disparar, aquela voz...não podia ser, ele não podia estar ali, era impossível! Ela estava em Paris e ele no Brasil, então como?...Ela virou-se e encarou o rapaz que estava parado observando-a.

- Que pena...não trouxe um cadeado comigo. -ela respondeu.

- Hum...acho que podemos dar um jeito nisso. -ele falou retirando alguma coisa do bolso do casaco. Era um cadeado. Ele aproximou-se da garota e lhe entregou o cadeado, ela o examinou.

- Quando você fez isso? -perguntou ela passando os dedos sobre o nome deles que havia sido gravado no objeto.

- Hoje de manhã, lembra quando eu te perguntei quais eram os seus planos para hoje e me disse que viria até aqui? Saí do hotel no mesmo instante e fui atrás de um cadeado. -ele sorriu.

- O que...o que você está fazendo aqui? Digo, em Paris? Quando você chegou?

- Cheguei ontem a noite. Quanto ao o que estou fazendo aqui...é meio óbvio não? Vim atrás da garota da minha vida. -falou ele deslizando o polegar pela face corada dela.

Ele estava ali! Ele havia viajado mais de 9 mil quilômetros por ela. Seu coração estava disparado e ela começava a duvidar que um dia ele voltasse a bater em seu ritmo normal. 

Ela se jogou nos braços dele, ele abraçou-a pela cintura puxando-a para si, acabando com a distância entre eles. Os lábios dela eram doces como uma fruta fresca e o perfume dele a deixava quase embriagada, o mundo não existia mais, as pessoas ao redor, a ponte repleta com os cadeados que há muito eram colocados ali por casais apaixonados em busca da felicidade eterna, nada mais importava ele estava ali, eles estavam ali, juntos e por alguns segundos os braços dele foram seu mundo.

- Você é maluco! -ela falou olhando em seus olhos profundamente castanhos.

- Não, eu não sou. -ele disse -Uma vez, uma garota me disse que oque falta na vida das pessoas são pequenos atos de coragem.

- Garota inteligente... -ela brincou.

- Então um dia essa garota resolveu que ia seguir seus sonhos, deixou seus medos para trás e foi rodar o mundo como sempre quis. -ele continuou. -Vir para Paris não foi uma loucura, foi o meu "pequeno ato de coragem". Porque ao ver você indo embora, ao ver que seu caminho estava cada vez mais distante do meu, eu percebi que ou vinha atrás de você ou então iria te perder para sempre... 

- Você nunca vai me perder. -ela sussurrou abraçando-o.

- Bem, de qualquer forma eu não posso dar bobeira ao destino. -ele abraçou-a de volta. - Então, nós vamos pendurar esse cadeado ou acha que é apenas uma superstição boba e sem fundamento?

- Bem, eu não acho que uma ponte seja responsável por trazer felicidade eterna, mas não posso dar bobeira do destino. -ela respondeu encaixando o cadeado na grade e travando-o.

- Aqui -disse ele entregando a chave do cadeado - A tradição diz que ela deve ser jogada no rio.

Ela olhou fixamente para a chave em sua mão e antes de jogá-la pensou no quanto a vida seria péssima se não fossem os "pequenos atos de coragem".

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2 comentários:

Mari B. disse...

Um conto bem construído e romântico para fechar a semana, que legal!
Gostei muito.

João Victor disse...

Por um mundo onde existam mais atos de coragem, mais pessoas correndo atrás de seus sonhos!
Belo conto :)

Abraços,
João Victor - Amigo do Livro
http://amigodolivro.blogspot.com.br/

 
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